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O que você precisa saber sobre a agressividade em cães e gatos!

Um dos temas mais complexos e controversos do comportamento animal: agressividade.

Armin Rodler/Creative Commons

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O maior motivo que leva donos a abandonarem cães e gatos ainda é a agressividade. Seja contra outro animal ou mesmo contra o dono, muitos animais ainda apresentam comportamentos agressivos.

Morder, rosnar, ficar arrepiado, mostrar os dentes, arranhar e até mesmo atacar com ferocidade são demonstrações de agressividade.

Mas a que se deve tanta raiva?

Existem diversos fatores que podem levar o animal a um comportamento agressivo: dor, medo, estresse, excesso de mimo, aprendizado e até problemas clínicos.

Dor

Eddie/Creative Commons

Eddie/Creative Commons

Se um animal sempre foi tranquilo e passa a ter um comportamento agressivo, a primeira coisa a se pensar é dor. Mas é importante observar se não houve algum tipo de mudança na casa ou na rotina. Se tudo está como sempre foi, leve imediatamente seu peludo ao veterinário. Problemas de ouvido, coluna e até uma prisão de ventre podem gerar dores fortíssimas. Ao tocar a região, o pet pode se irritar e atacar.

Da mesma forma que nós temos os momentos de irritação por conta de uma dor, os animais também ficam menos tolerantes quando estão em sofrimento. Não brigue com ele, caso ele ataque. Ele não apresenta esse comportamento porque é mau, mas por estar desconfortável. A primeira coisa é descobrir o motivo da dor, para que ele se sinta melhor e volte ao comportamento normal.

Medo

RonjaV/Creative Commons

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Na maior parte dos casos, a agressividade acontece por medo. A melhor defesa ainda é o ataque. Apesar de mais difícil de identificar, não devemos usar punição. Se repreendermos o animal, ele ficará com mais medo e inseguro, e será ainda mais agressivo da próxima vez.

Para identificar esse tipo de ataque em cães, basta observar o rabo entre as patas, e em gatos, as orelhas para o lado. Quando o animal se sente acuado, e não tem para onde fugir, ele ataca, mas nem sempre finaliza a mordida. Pode ocorrer um ataque de “aviso”. Veja neste vídeo o Stitch “avisando” ao Golden que não é para chegar muito perto.

 

Estresse

smerikal/Creative Commons

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Pode parecer meio absurdo, mas os pets também sofrem de estresse. Porém, no caso deles, pode ser por falta do que fazer. O exercício físico libera alguns hormônios que deixam o corpo mais relaxado, com sensação de bem estar. Quando o animal é muito sedentário, os níveis desse tipo de hormônio reduzem e o mau humor se instala.

Mas não é só isso que estresse o cão/gato. Mudanças de rotina também podem alterar o comportamento, deixando o animal mais irritadiço. A chegada de uma visita, ou mesmo de um bebê, pode deixar o ambiente menos previsível para o pequeno, e com isso ele fica mais bravo. Observe a mudança do comportamento e veja o que, e em que momento, está estressando seu pequeno. Alguns sinais, que denotam estresse, podem passar desapercebidos, como lamber o focinho.

Para os cães, basta aumentar o número de passeios por dia e dar mais desafios e brinquedos dentro de casa. Para gatos, é importante que ele tenha rotas de fuga elevadas, como prateleiras, além de brinquedos e cafuné (na hora que ele quiser).

Excesso de mimo

trung1145/Creative Commons

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Alguns animais são mais temperamentais e querem que só a vontade deles prevaleça. Quando isso não acontece, eles se rebelam e tentam impor o desejo de qualquer forma. Para conquistar seu objetivo, eles podem usar diversas táticas: latir, rosnar e até morder.

Se você tenta pegar um gato a força e ele não quer, ele vai arranhar. Ele não é malvado. Apenas quer mostrar que o que você está fazendo não o agrada. Por isso, o ideal é observar o animal, antes de interagir com ele. Observe se o gato está com o rabo para cima, se esfregando nos móveis ou perna. Esse pode ser um ótimo momento para brincar ou pegá-lo no colo. Porém, se ele estiver batendo o rabo, enquanto deitado, evite se aproximar.

Com cães não é diferente. Às vezes tentamos pegar o pote de comida e o cãozinho avança. Pode ser que ele esteja querendo dizer “sai daqui, que isso é meu!”. Esse é o motivo mais frequente de brigas entre cães: disputa por recurso, como brinquedo, carinho, território ou comida. Nestes casos, suspenda o recurso de ambos e só volte a dar (brinquedo, comida, etc) quando eles se acalmarem.

Aprendizado

Armin Rodler/Creative Commons

Armin Rodler/Creative Commons

Alguns animais aprendem que para demonstrar qualquer tipo de sentimento, devem rosnar ou atacar. Isso normalmente acontece quando damos bronca, o cão mostra os dentes e nós damos risada. Ao fazer isso, reforçamos o comportamento e mostramos que isso não é suficiente, que ele precisa de atitudes mais drásticas para “dar o recado”.

Existe a possibilidade de ensinar ao animal que ele pode utilizar outras técnicas para se livrar da situação incômoda de outras formas. A primeira coisa a se fazer é ignorá-lo completamente após cada rosnada ou demonstração de agressão. Saia de perto. Fique pelo menos uma hora sem falar com ele.

Se, por algum motivo, você revidar o rosnado ou ataque com agressão, ele irá aprender a ser ainda mais agressivo. Na próxima vez, para conseguir o que deseja, vai ter que usar mais agressividade e força. Por isso que não é recomendado nenhum tipo de punição, pois pode gerar animais desconfiados e agressivos.

Problemas clínicos

Além da dor, existem algumas alterações de saúde que podem facilitar a agressividade. Cães com hipertireoidismo podem apresentar acessos de raiva. Animais com convulsão tendem a atacar pessoas e outras animais durante as crises. Tumores cerebrais podem comprimir áreas específicas e facilitar comportamentos agressivos.

Seja qual for o motivo, é importante que você leve o animal ao médico veterinário, para que seja feita uma avaliação do caso. A agressividade normalmente está relacionada a sofrimento, por isso a importância de agir o quanto antes.

Raças agressivas

melgupta/Creative Commons

melgupta/Creative Commons

Eu não acredito em raças agressivas, mas em comportamento agressivo. Já cuidei de lulu da pomerânea agressivo e de rottweiler bonzinho. A criação e o tipo de vida que o animal leva ditam mais o seu comportamento, do que o nome da sua raça. Ele pode ter cara de mau, mas ter o comportamento de um anjo. Não vamos julgar o livro pela capa, ok?!

Terrah/Creative Commons

Terrah/Creative Commons

Vale lembrar que toda agressividade é passível de tratamento. O resultado pode demorar a chegar. A persistência e o amor ao animal são fatores cruciais na recuperação de qualquer comportamento. Dê uma segunda, terceira e quarta chance para os animais. Eles não são maus. Nós é que, muitas vezes, não entendemos o que eles estão querendo dizer.